Uma história de medo e superação marcou a vida do casal Damiana, José Inácio e a pequena Laura, nascida no último 27 de fevereiro de 2021 na Santa Casa de Rio Claro. Aos 7 meses de gravidez, Damiana recebeu o diagnóstico de que estava com Covid, dando início a uma saga que terminou essa semana, com mãe e filha se conhecendo ao vivo pela primeira vez. “Esse encontro foi um momento de grande emoção para todos nós”, diz Dra. Kelen Cristina Guedes, responsável pelo covidário do hospital. “Apesar de lidar com histórias de vida o tempo todo, nunca vou deixar de me emocionar”, completa Dra. Cristina Mamprim, pediatra responsável pelo UTI neonatal.
A jornada pela vida de Damiana e Laura começou na primeira quinzena de fevereiro, quando ela, grávida de sete meses e mãe de duas outras meninas, começou a sentir dores no corpo, espirros e uma leve febre. Alguns dias depois, apareceu a tosse que foi se agravando ao longo dos dias, quando recebeu o resultado positivo para Covid. “Foi um susto, eu não saía de casa para nada, me cuidava, cuidava da minha família, muito antes até de saber que estava grávida”, relembra.
Com o quadro de gestação, no dia 25 de fevereiro, Damiana foi transferida para a Santa Casa de Rio Claro. “Tivemos que adotar um protocolo diferente porque alguns medicamentos usados na condução normal poderiam fazer mal à criança”, lembram as médicas.

“Fui recebida com muita atenção, mas, meu corpo não reagia e fui tomada por uma sensação de profundo desespero, cheguei a ficar desenganada, e só pensava que queria que salvassem minha filha”, diz Damiana.
No dia 27 de janeiro, numa ligação para o marido, ela pediu, “Reza, reza, reza”! “Fiquei em choque”, relembra ele. “Eu tinha que acompanhar de longe e aguardar os boletins diários, eu mal conseguia comer”.
No mesmo dia, a enfermeira chefe Gabriela Breda percebeu uma piora significativa, enviou os exames para o corpo clínico e no mesmo instante decidiram pela cesariana. “Não dava mais para esperar. Um minuto a mais e perderíamos as duas”, relembra Dra. Giovana Cartolano e o Dr. Fernando Savoy, responsáveis pelo parto.
Toda a equipe da Santa Casa foi mobilizada para a cirurgia emergencial e Damiana foi entubada. “Eu estava desesperada, mas, quando eu estava à caminho da cirurgia, a Dra. Kelen olhou para mim e disse que daria tudo certo. Eu vi tanta verdade nos olhos dela que eu realmente acreditei. Eu soube, naquele momento, que eu ia viver”, diz emocionada.
E viveu.
Após a cirurgia, Damiana foi transferida para a UTI-Covid para o tratamento completo, onde permaneceu durante sete dias e a pequena Laura foi encaminhada para a UTI Neonatal.
O pai acompanhou tudo. “Eu vi quando ela nasceu, estava quietinha, parecia que estava morta, mas, depois do oxigênio ela começou a se mexer. Dois dias depois já não estava mais entubada e agora foi transferida para o berçário”, relembra José Inácio, com alívio.

Quando Damiana acordou, já haviam se passado sete dias após o parto. “Parecia que tinha acabado de acontecer, eu pedi para ver minha filha, foi quando soube de tudo.” Ainda em recuperação, ela só pode conhecer Laura por vídeo-chamada.
Mas, essa semana, mãe e filha puderam se ver pela primeira vez. “Ter minha filha nos braços é um milagre. Não tenho palavras para expressar todo o amor, toda a força, tudo o que a Santa Casa fez pela nossa vida. Eu nunca tive um plano de saúde, mas, posso dizer que vendo tudo o que eu vi, mesmo que eu tivesse, eu escolheria vir para cá de novo. Devo a nossa vida a esses médicos e enfermeiros, são anjos tocados por Deus”, diz ela.
“Laura quer dizer ‘guerreira’ e é isso que ela é, nossa guerreira”, finaliza Inácio com a voz embargada.
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