Engraçado é perceber pelo retrovisor que muito do que a gente projeta acaba não sendo levado à frente.
Em que trechos dessa estrada que você percorre hoje em alta velocidade ficaram perdidas as suas iniciativas? O que te fez desviar?
Faltou coragem, ou foram as circunstâncias que levaram a caminhos diversos? Talvez um pouco de cada coisa leva a gente a desistir daquilo que queremos. Toda família tem alguém, um sobrinho, um irmão, cunhado ou primo que se justifica porque tinha tudo para ter sido e não foi.
E as lamentações e desculpas seguem os mesmos padrões. Alguns se escondem no papel de vítima e passam a praguejar ou lamentar pela vida mal vivida. Isso quando não culpam o parceiro ou outra pessoa que atravessou seu caminho.
Claro que somos também produto das circunstâncias, dos fatores externos que trazem o imprevisto na nossa vida, mas há uma outra parte que somos nós mesmos, com nossa falta de empenho ou por acreditar que somos menores, acabamos por empacar num lamaçal de justificativas.
Nada pior para alguém que tem um sonho do que acreditar em outra pessoa que diz que isso não passa de um sonho. O bom da época em que vivemos é que muitas vias abandonadas nos caminhos da nossa vida podem ser retomadas em qualquer época da vida, uma vez que não existem mais padrões de comportamento a serem seguidos. Uma nova faculdade depois dos 30 anos, um novo casamento, uma nova profissão, ou o resgate de algo que ficou no passado, mal resolvido. Não há mais grandes motivos para arrependimento. E de exemplos o mundo está cheio.
Parece que está nas nossas mãos escolher ir em busca do que quer ou continuar a ser um genérico, na confortável trincheira do “igual a todo mundo”.
Nosso novo mundo é assustador para quem se prende ao medo de arriscar, pois ele nos cobra isso. E esse espírito de uma época nos coloca frente a nossos desejos como nunca. Estamos numa era sem limites. Sem limites de distância, com a internet, de perspectiva de cura, com os avanços da medicina, de estética, com o poder das cirurgias plásticas e tratamentos, entre outras coisas.
Em desacordo, porém, com esse aparente alargamento dos limites de possibilidades no mundo, não há uma equivalência de felicidade.
Quem se sente provocado, precisa ir em busca daquilo que o diferencia do “todo mundo”. Porque quem sufoca isso e se conforta em ser igual a todo mundo pode estar numa trincheira, lá no passado. Tem que tomar a vida nas mãos e ir em frente! E o resto é covardia, ou preguiça.