O corte de horas extras dos servidores que afeta o serviço de transporte no setor de saúde voltou a ser discutido na Câmara Municipal de Rio Claro. Na sessão dessa segunda-feira (31), a vereadora Tiemi Nevoeiro (Republicanos) denunciou o esquecimento de um paciente no município de Jaú onde faz tratamento contra o câncer.
A parlamentar exibiu um vídeo com relato do paciente de 62 anos, que saiu de Rio Claro às 3h30 e às 21h ainda não tinha sido recolhido. Segundo ela, um motorista de ambulância o deixou no Hospital Amaral Carvalho e foi embora, dizendo que outra viatura iria buscá-lo. Isso não aconteceu naquele dia, somente às 14 horas do dia seguinte.
O caso gerou um intenso debate entre os vereadores que cobraram providências urgentes para resolver o problema. “A gente vê a ineficiência da máquina pública com serviços básico como educação, saúde e segurança. É vergonhoso”, destacou Tiemi lembrando ainda das pessoas que perdem tratamento por falta de transporte.
“Diante de uma situação dessa, sair às 3h30 e só buscar às 14h30 do dia seguinte, mais de 24 horas depois, sinceramente alguém tem que ser responsabilizado”, cobrou Val Demarchi (PL). “Não tem como justificar e passar pano, é lamentável, e não dá para continuar assim”, disse Elias Custódio (PSD).
O vereador Rodrigo Guedes (União Brasil) relatou caso ocorrido na semana passada com mães atípicas que ficaram durante horas em Americana à espera de transporte. “Até as 20 horas não tinham ido buscá-las. Se isso for um problema recorrente, é inadmissível”.
Fernando do Nordeste (PSD) também relatou caso de paciente que foi deixado em Leme para onde foi fazer hemodiálise. “Eram quase 10 horas da noite e o paciente estava lá, sem informação de quando iriam buscá-lo”, contou.
Rafael Andreeta (Republicanos) observou que problemas como esses não são novidades e vêm ocorrendo há dias porque as horas extras foram suprimidas e os motoristas não podem seguir viagem. “Tem que chamar alguém da Saúde para explicar”, sugeriu.
Moisés Marques (PL) observou que o problema deveria ter sido resolvido quando fizeram o apontamento, mas o governo “empurrou com a barriga”.
“Já faz tempo que está com esse problema e a população não pode pagar por esse erro”, pontuou Hernani Leonhardt (MDB), que anunciou a convocação do secretário de saúde para prestar esclarecimentos. A reunião será nesta quinta-feira (3), às 14h30, no plenário da Câmara.
Por Ednéia Silva / Foto: Frame de Vídeo