Dizem que a dor maior é de uma mãe que perde o filho. E aí, como recomeçar? Voltar a sorrir? Seguir em frente? É o que a cozinheira Vilma Camargo e sua família têm feito todos os dias, após a morte do filho Daniel, que partiu em 2014, com apenas 19 anos.
A vida de Vilma, do esposo Gustavo, da filha Thais e de Daniel seguia normalmente. O menino, desde criança sempre muito parceiro, amigo, companheiro, colaborador em tudo, de fé e de alegria, até que no dia 6 de dezembro de 2013, Daniel teve um derrame no olho, por falta de plaquetas.
No dia seguinte, ficou com a vista embaçada. A família o levou ao médico, foram feitos alguns exames e constatou-se um problema grave no sangue.
Com os dias, descobriu-se que Daniel estava com Aplasia Medular. Teve início o tratamento e a busca por um doador, mas não deu tempo. O jovem faleceu no dia 9 de março de 2014. “Conseguimos fazer um tratamento para limpar a medula e poderia nem precisar de doação. A medula gerada novamente, pode vir saudável, tem essa chance, mas durante o processo, estava sem nenhuma imunidade e pegou uma infecção generalizada”, esclareceu Vilma que não sabia como seriam os seus dias depois dessa grande perda.
“Quando ele partiu eu queria ir junto, pensei que não sobreviveria. Tive que, como uma criança, aprender a engatinhar, andar e tocar minha vida.
Deus, o Grande Deus tem sido a minha força, pois a saudades e a falta que ele faz, machuca, fere. Daniel está no meu coração, na minha mente, nas minhas entranhas, e o amo com todas as minhas forças”, relata Vilma.

Para quem fica, as datas comemorativas nunca mais serão as mesmas, principalmente o Natal. Com Vilma não foi diferente. “Depois da partida do Daniel tive muita dificuldade de sorrir no Natal. Mesmo sabendo que o Natal não é sobre mim, e sim sobre Jesus, via a união das famílias e as comemorações, e isso me rasgava o coração”, disse.
Mas algo mudou neste ano. Vilma decidiu fazer diferente pelos que estão aqui ao lado dela e até mesmo por Daniel. “Confesso que ainda continuo triste, no entanto, algo mudou em meu interior neste ano e tenho certeza que devo aproveitar este momento, pois sabemos que eles não duram para sempre, nem as tristezas e nem as alegrias”, relatou.
Em 2019, Vilma resolveu dar outro sentido neste Natal, após uma conversa com sua filha. “Disse a ela que o Natal depois da morte do Dani é estranho para mim e ela me respondeu: ‘Ah mãe, pra mim não. Eu amo o Natal e tenho muitas lembranças boas da minha infância em que você enfeitava a casa, com o pai, nos levava para ver os enfeites’. E foi naquele momento que me emocionei e percebi que poderia contribuir para que ela continuasse a ter um Natal feliz”, destacou.

O entusiasmo tomou conta e mais que depressa Vilma foi ao Centro da cidade providenciar enfeites, até mesmo para a porta do quarto da filha e seguiu por vários dias na arrumação e decoração da casa com pequenos detalhes, dando um novo clima natalino, o mesmo dos natais passados, em que o Daniel também estava presente. “Estou muito feliz. Estou feliz porque é uma pequena atitude. Foi uma palavra simples, em uma conversa natural, mas na qual Deus falou ao meu coração. E neste Natal está diferente, graças a Deus, que me ama e cuida de mim.
Desejo que você, que está lendo, comemore as pequenas vitórias, e curta muito, curta hoje. Não sei o que vai acontecer no próximo Natal, mas sei o que está acontecendo agora, e dou graças a Deus. Mães, não é fácil ficar sem nossos filhos aqui, mas Deus tem um consolo para nós. Creia nisso”, disse emocionada e com o objetivo de incentivar quem também enfrenta o mesmo sofrimento.
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