O acesso ao Museu da Energia não é mais possível.
O local mantém uma guarita deteriorada e que sofreu com a ação do tempo. A Usina Hidrelétrica do Corumbataí, uma das pioneiras do Brasil, sobrevive em meio ao esquecimento do poder público e da Fundação Energia e Saneamento, proprietária da área.
Em entrevista ao Centenário, o historiador Donizetti Aparecido Pinto – que foi coordenador do museu de 1999 até 2009, quando foi para o museu de Jundiaí, retornou em 2012 para Rio Claro e se aposentou – defende a revitalização do local e sua utilização como espaço histórico e pedagógico.
“Rio Claro é uma cidade histórica e poucos reconhecem. A usina foi a terceira a ser construída no Estado. Na minha opinião, a usina deveria ser explorada como um espaço histórico e pedagógico. A usina já cumpriu sua função como produtora de energia”, enfatiza.
Ele diz que não visita o espaço há algum tempo, mas destaca que muitas pessoas comentam sobre a situação do local. “Tenho ouvido relatos de que o espaço está abandonado”, acrescenta.
TERCEIRIZAÇÃO
Donizetti declarou ser contrário à terceirização do local para produção de energia. “Sempre fui contrário à terceirização. A usina já cumpriu sua função de geração de energia, mas a Fundação [Fundação Energia e Saneamento] resolveu terceirizar”, diz
De acordo com ele, que diz ter acompanhado duas tentativas de terceirização, o modelo não é eficaz. “Devido à usina ser um espaço tombado pelo Condephat, não pode haver grandes intervenções. Sem contar que os equipamentos são do final do século 19”, justifica.
O historiador reforça que a utilização da usina deveria ser para fins históricos e pedagógicos. “Ela pertence à cidade. Tem grande importância histórica e atravessou várias gerações. O esforço tem que ser feito de várias esferas, não só estadual. Mas também pela prefeitura e pela própria sociedade”, finaliza.
FUNDAÇÃO
A Fundação Energia e Saneamento informou em nota que é proprietária da área, mas que a responsável pela operação da Usina perante a Aneel é a empresa Cobbucio e Almeida Energia.
Informou ainda que a Fundação suspendeu, por tempo indeterminado, as atividades e visitas monitoradas ao Museu de Energia da Usina do Corumbataí. “A medida objetiva atender o plano de readequação operacional da Fundação”, explica.
EMPRESA
O Centenário tentou contato com o porta-voz da empresa Combuccio e Almeida Energia, mas até o fechamento da reportagem não obteve resposta. Vale destacar que o portal da empresa diz que em 2015 a geração de energia foi encerrada em virtude do fim do contrato. “No momento, a Fundação já estabeleceu novo contrato com nova companhia geradora e aguarda finalização de obras de readequação para reativar a PCH”, diz o site da empresa sobre a usina.