Muito tem se falado sobre a importância da música no cotidiano, os efeitos que causa no cérebro e como interfere na construção da personalidade humana. A prova disso é o alcance do documentário A Primeira Arte, produzido pelo grupo Brasil Paralelo e distribuído gratuitamente na internet e que já teve mais de um milhão de visualizações só no primeiro capítulo. “A música é mais do que um sequenciamento de sons, ela é capaz de mudar uma sociedade inteira”, diz William Nagib Filho, presidente da Orquestra Filarmônica de Rio Claro.
Estudos mostram que a música pode, inclusive, mudar a percepção de tempo e sequestrar nossas sensações. “A música cria um espaço de tempo paralelo e podemos nos perder, isso acontece durante um show ou no dia a dia, é como se a mente fosse sequestrada”, explica Lucas Casagrande, violoncelista e mentor do projeto A música na construção do caráter.

Exatamente por isso, estudiosos sugerem que algumas músicas, por exemplo, não sejam ouvidas ao volante sob o risco de causarem acidentes, entre elas, Cavalgada das Valquírias, início do ato III da ópera de Die Walküre, de Richard Wagner. “Quando nos engajamos numa música é como se o cérebro se desligasse e nesse caso, a intensidade da música pode fazer você acelerar o carro para acompanhá-la”, explica Lucas.
Cientistas da Chemson University, nos EUA, provaram que o som é capaz de modificar a forma da água e produziram um show visual com o resultado dos experimentos. Eles colocaram gotas de água em um campo ultrassônico para que ela pudesse levitar e à medida que mudava a harmônica, a gota também mudava de formato. Se pensarmos que 70% do corpo humano é composto por água, podemos imaginar como os sons podem influenciar nossas sensações e movimentos.

E a Orquestra Filarmônica de Rio Claro decidiu abrir o diálogo sobre “Música e a influência no cotidiano”. Até que ponto o que você houve pode modificar a sua vida? Como a música pode alterar o estado emocional das pessoas? Como a formação musical ajuda na recuperação de jovens em vulnerabilidade social? Esses e outros assuntos serão abordados numa live história para a região. “Quando crianças chegam ao nosso projeto, elas estão muito machucadas emocionalmente e usamos a música como forma de apresentar a ela um mundo diferente do seu cotidiano”, conta Erika Kroll Rezende, coordenadora da ONG ABA, de Rio Claro.
Para falar sobre o assunto, a Orquestra Filarmônica de Rio Claro decidiu reunir a jornalista do Diário do Rio Claro e produtora do Festival Rock Feminino Vivian Guilherme, o violoncelista e membro do e-cult Lucas Casagrande e a coordenadora da ONG ABA, de Rio Claro, Erika Kroll Rezende, além do próprio baterista, percussionista e presidente da Orquestra, William Nagib Filho para o debate. “Os jovens precisam de espaço para o debate saudável, só assim conseguiremos que a música ganhe notoriedade no dia a dia”, diz Vivian.

O diálogo será realizado pelo Instagram da Orquestra Filarmônica de Rio Claro. “Todos estão convidados a participar, enviar mensagens e dar sua opinião. Queremos que a música vá além dos shows e eventos, que ela faça parte das rodas sociais, afinal, os sons estão em todos os lugares e é preciso entender que vão além de notas sequenciais”, diz William. “Temos o compromisso de levar música para as pessoas, e não apenas música clássica, mas música de qualidade, misturando orquestra clássica com pop, rock e música popular. Tudo deve ser considerado e respeitado e foi desse pensamento que a Filarmônica nasceu. Agora queremos não apenas tocar, mas abrir espaço para os diálogos”.

O encontro virtual com os convidados acontece nesse sábado, 22 de maio a partir das 16 horas. Basta acessar o instagram da Orquestra (@filarmonicarc) e participar.
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