“Não dá nem pra acreditar né moçada, como está morrendo uma galera nova. Nunca imaginei vivenciar um filme de terror como este que estamos passando, só que na vida real”, esta foi a última mensagem do músico Fernando Basso deixada no sábado (3), às 10h43, em um grupo de artistas da cidade em que ele fazia parte. Fernando lamentava a partida repentina de um colega. Infelizmente, momentos depois, a notícia que os amigos não esperavam receber, o adeus seria agora para o agente policial aposentado e músico Fernando Basso que morreu em um acidente de moto no começo da tarde de sábado (3).
“Não quero mais chorar, quero lembrar dele do jeito maravilhoso que ele era, alegre e sempre disposto a ajudar todo mundo”, disse o amigo e parceiro de profissão Marcelo Vinicius de Castro, que atuou por 31 anos como Investigador de Polícia e, agora aposentando, ao relembrar grandes histórias ao lado do amigo Fernando Basso.

Marcelo Castro relata que teve a honra e o prazer de trabalhar e ser amigo pessoal de Fernando, que no dia a dia era tratado como Basso. “Eu pude acompanhá-lo desde quando ele entrou na polícia, pessoa simples, humilde e assim permaneceu até o final. No decorrer dessa caminhada toda, uma característica que se destacou muito nele foi a prontidão, estava sempre apto e disposto a ajudar qualquer hora e dia”, lamentou o amigo que precisou controlar a emoção para relembrar a grande parceria. “Estávamos sempre juntos, trabalhamos um bom tempo juntos no 1º Distrito Policial na Avenida da Saudade, acho que a maior parte do tempo de trabalho minha e dele nós passamos juntos, depois eu fui para parte administrativa e ele para uma outra unidade, mas sempre em contato”, disse.
Foram muitos fatos marcantes, momentos tensos no exercício da profissão, mas também muitos divertidos. “No início de carreira ele todo empolgado, novato, andava com a arma na cintura de forma ostensiva e também utilizava uma faca, devido a isso o apelidamos de Rambo, o Fernando Basso Rambo, ele sempre levou na brincadeira e se divertia junto”, relembra ao citar que tiveram várias passagens e brincadeiras que ficarão na memória. “Era um cara alegre, brincalhão, a parte lúdica dele e cultural eu ficava encantado de ver, a dedicação dele, o resgate da família, com o movimento da dança, da catira, ele preservava as origens, nunca renegou isso, veio de uma família humilde, de sitiantes, um cara sempre pé no chão, tudo que ele conquistou nunca deixou de olhar para trás, de agradecer a Deus, nunca deixou de lado os familiares, as pessoas humildes que cresceram com ele, enfim só tenho o que falar bem dele, foi prazer enorme ter tido a amizade dele, e ele está bem melhor hoje na Glória de Deus. Um grande amigo que nos deixou, mas agora está lá em cima no céu”, ressaltou Marcelo.

O agente policial Renato Gomes Ferreira destaca o início da carreira. “Iniciamos a academia de Polícia juntos no ano de 1992 sempre foi um amigo, bom coração, trabalhou por vários anos no 1º Distrito Policial e encerrou sua carreira no Necrim, sempre muito responsável com suas obrigações”, salientou.
Pelo caminho em seu trabalho ou na vida pessoal, Basso não hesitava em contribuir com quem estava chegando. “Quando saí da Academia de Polícia em 2006 fui designado a trabalhar no 1º DP de Rio Claro, onde conheci Fernando Basso. Ele foi meu primeiro parceiro. Aprendi muita coisa com ele. Sempre foi um policial dedicado, exemplar, gostava muito do que fazia. Também nutria outra paixão, que era a música. Era um excelente músico e cantor. Sempre animado, pessoa de ótimo caráter e índole. Uma tragédia o que aconteceu com ele, ainda não consigo acreditar”, disse emocionado o amigo e investigador de polícia Jorge Bizarro Teixeira.
ARTISTA
Músico desde os dez anos de idade, Basso, além de cantar e tocar violão, era contrabaixista, produtor artístico e catireiro. Sempre envolvido em projetos culturais, principalmente os que reuniam o sertanejo, estudou música clássica na Orquestra Sinfônica de Rio Claro, cujo instrumento sempre foi o contrabaixo acústico.
Foi coordenador e integrante do Grupo Catira Brasil por 15 anos. Como catireiro, gravou CDs com a participação especial de grandes artistas, um projeto cultural denominado Catira Brasil e Amigos. Como dupla sertaneja, gravou dois CDs e fez participação no trabalho fonográfico de outras duplas. Sua ligação com a música e a catira começou com a própria família e que envolve seis gerações; Fernando era sobrinho do maestro Otávio Basso.

“Ele foi uma das pessoas que me ajudou e me apresentou ao mundo de vários artistas na minha carreira. Para música popular brasileira, o Fernando deixou um legado através do Pop Rock, Catira, Música Sertaneja de Raiz e Folclórica. O contato e amizade que ele deixou com artistas da música sertaneja raiz, foram extensos. Além de ser respeitado por defender essa bandeira, ele conhecia esses estilo de músicas, danças e sapateados que eram admirados por todos”, relembrou o amigo e músico Rodrigo Sperandio.
Aprendizado e admiração que ficaram marcados em quem teve o convívio com Fernando. “Com o Grupo Catira Brasil ele foi um ‘spalla’ para os integrantes, onde nas apresentações, os sincronismos eram tão perfeitos, que a gente ficava admirado com a execução. No Volume 02 do CD do Grupo Catira Brasil, no qual fui o Produtor Musical, quando era pra gravar o catira nas músicas, nós ficávamos arrepiados pela sua liderança e principalmente pela precisão que gravava os Takes. Aprendi muitas histórias e muita coisa com ele, será para toda Vida”, destacou.
DESPEDIDA
Mesmo abalados com a grande perda, amigos e parceiros de profissão não deixaram de prestar homenagens durante a despedida de Fernando Basso que foi sepultado na manhã de domingo (4), no Cemitério Municipal São João Batista. Por volta das 6h30, policiais civis com viaturas acompanharam a saída do corpo de Piracicaba até o Velório Municipal. Em Rio Claro, com sinais luminosos e sonoros percorreram o quarteirão da Delegacia onde Basso trabalhou. Em seguida, as viaturas no trajeto entre velório e cemitério foram posicionadas formando um corredor. Além de viaturas e equipes da Polícia Civil, compareceram também Polícia Militar e Polícia Científica.
ACIDENTE
Como o Diário noticiou em sua edição de domingo (4), o acidente foi registrado no começo da tarde de sábado (3). Basso seguia em sua motocicleta na pista que liga Piracicaba a São Pedro, quando foi atingido por um caminhão, que trafegava sentido São Pedro, invadiu a pista contrária.
Por Janaina Moro / Foto: Divulgação