Aos 88 anos, visionário, com diversos projetos de sucesso, o criador da primeira latinha de cerveja do país, o rio-clarense Arnaldo Pecini conversou com a equipe do Diário e relembrou fatos que fazem parte da história não só de Rio Claro, mas do país. Entre eles o lançamento da primeira cerveja em lata no Brasil, que saiu da Cidade Azul. “Na época tínhamos sete plantas fabris no país. Já tínhamos lançado a Skol envasada em garrafas focando público alvo B+ e A, quando as duas principais marcas líderes, concorrentes de então, não direcionavam estratégias de campanhas, estas então voltadas para as camadas B-, C e D, consumidoras habituais de cervejas em grandes volumes. Com isso, por decisão estratégica bem focada em um público mais exigente, com hábitos de consumo em bebidas mais sofisticadas, acabamos por liderar nesses segmentos, firmando sólido posicionamento de mercado”, relembrou Pecini.
As estratégias de comunicação apostavam no alto nível do conceito da marca e qualidade de produto, sem entretanto fechar portas para inclusão dos segmentos das concorrentes, salientou. O fato é que a Skol Cerveja Premium via seu Market Share (fatia de mercado) crescendo rapidamente. “Começamos com uma forte rede nacional de líderes (distribuidoras) exclusiva, vinda da líder Caracu, o que nos permitia uma presença muito ampla nos pontos de venda, em todo o país. Aí vem a lata”, ressaltou.

Então, a regional Rio Claro foi a que teve seu plano de lançamento aprovado pelo alto comando do grupo, por comprovar seguro grau de eficácia, adiante comprovado pelo fenomenal sucesso, que se tornou em um “Case de Marketing” no mercado brasileiro. “Assim, a Metalúrgica Mattarazzo, instalou todo o sofisticado maquinário na fábrica Skol-Caracu de Rio Claro. Assumimos, assim, o grande desafio de lançar a primeira cerveja em lata do Brasil”, comenta Pecini.
Enfim, foram várias análises de mercado para o lançamento se tornar um sucesso, como a inovadora embalagem falava por si só, o foco passou a ser a estratégia de um projeto logístico visando alcançar todos os distribuidores e pontos de vendas, nacionalmente, com presença física do produto em 80% da cadeia varejista, supermercado e atacadista, de forma pulverizada, imediatamente antes da grande campanha publicitária ser deflagrada. “Campanha no ar e produto no bar, resultou em estabelecer o forte programa de suprimento reprodutivo, de forma a garantir pleno atendimento ao enorme consumo, então estabelecido em todo o território Nacional. O plano logístico foi um grande sucesso nessa megaoperação de entrada da LATA SKOL, no país. Contratada a empresa Partezani de Rio Claro para o transporte das latas da Metalma para nossa linha de envasamento em Rio Claro. Partezani investiu na tecnologia específica para a operação a seu cargo e o resultado também atendeu nossa demanda de envasamento com muita segurança”, salienta.
AS EMBALAGENS
As embalagens eram caixas de papelão contendo 48 latas e a embalagem de conveniência, tipo Six-pack, contendo seis latas, direcionadas às redes de supermercado.
A PRODUÇÃO
A linha de envase produzia 500 latas por minuto, com operação de três turnos de seis horas, sendo então 30.000 latas por hora em 18 horas dos três turnos.
CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS
Pecini destaca que as campanhas publicitárias eram de extrema relevância e abrangiam rádios, TVs, jornais e outdoors. No lançamento o slogan foi: “Chegou a Lata. Só podia ser Skol”. A seguir: “Pegue a Lata, sinta a Lata, Beba a Lata. Só podia ser Skol”. E com a demanda já superando a oferta veio: “Manda mais lata, manda, só podia ser Skol”. “E assim por diante, até que o alto comando ordenou suspensão da campanha, face a enorme procura pelo produto, em níveis muito superiores à capacidade de envase”, conta.
SUCESSO

A demanda foi tão alta que intermináveis filas de caminhões se formavam ao redor da fábrica à espera de carregamento. “Foi quando decidimos transportar a produção em carretas para a área da Kennedy e transferir para lá todos os carregamentos demandados, desafogando a área nos entornos da fábrica. Skol em Lata foi um descomunal sucesso de Marketing, transferindo créditos para as embalagens de vidro, em consequência. Temos, bem guardado, o bem sucedido projeto logístico que assegurou o indescritível sucesso da primeira cerveja em Lata do Brasil. “Só podia ser Skol”, “Só podia ser Rio Claro”. Só depois decorrido muito tempo, esgotada a capacidade de fábrica de Skol Caracu, tiveram acesso às latas, então produzidas por outras novas metalúrgicas, as marcas concorrentes. Porém, ainda passados 50 anos a Skol em lata é disparada a líder no mercado brasileiro”, comemora.
HOMENAGEM
Com os frutos gloriosos, o responsável pelo exitoso planejamento e sua implementação recebeu de seus colegas de trabalho, a primeira lata cunhada na Matarazzo, em ouro, como homenagem pela superação do grande desafio assumido de lançar a tão disputada lata no país, agradece Pecini.
SATISFAÇÃO

Ao término da conversa Pecini e rememorando grandes fatos, Pecini declara que foram sonhos realizados com sucesso. “A satisfação do dever cumprido supera qualquer resquício de vaidade pessoal. Devo muito às pessoas que estiveram ao meu lado nessa trajetória de incríveis realizações. Sou grato aos meus amigos, minha família, a Deus acima de tudo, aos filhos e netos que hoje me sucedem”, finalizou.

Por Janaina Moro / Foto: Divulgação