O fato de Rio Claro ser uma terra demasiadamente fértil no que se refere à música é algo de conhecimento de grande parte dos rio-clarenses. Os talentos advindos da Cidade Azul realmente saltam aos olhos. A musicalidade presente na terra de Dalva de Oliveira e Dom Salvador é algo a ser estudado. Eduardo Barsotti, baterista, é um dentre tantos e notórios talentos rio-clarenses. Artisticamente conhecido como Edu Barsotti, o músico, hoje com 42 anos, atendeu à reportagem do Diário do Rio Claro com o desígnio de contar a você, leitor do Centenário, um pouco de sua trajetória artística.
Paixão que vem de família
Barsotti confidencia que a música sempre se fez presente em sua família. “Meu pai, Fernando de Souza Filho, apesar de não tocar nenhum instrumento, sempre gostou muito de música e tem um acervo grande de discos, CDs e DVDs, que varia dos clássicos da MPB, como Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, aos tangos de Gardel e ao rock clássico, nos quais sempre pude me nutrir de grande inspiração e consulta musical”, expõe o músico.
Sua mãe, Sueli Barsotti, teve aulas de acordeom na escola e, seus tios e tias, foram pianistas em Rio Claro. E foi com sua tia Neusa Barsotti que se deu o seu primeiro contato com um instrumento musical aos oito anos: o piano.
O despertar para a música: estudos e ascensão
Mais tarde, aos 13 anos, no colégio Puríssimo, revela que havia alguns colegas que tocavam em eventos da escola. “Eu adorava ver essas apresentações e, num certo dia, um desses colegas deixou uma bateria guardada por uns dias na casa dos meus pais por falta de transporte e, assim que tive oportunidade, a montei e saí tocando sem qualquer conhecimento: foi amor à primeira vista”, relembra. Barsotti conta que foi procurar em que local seus amigos haviam estudado e deu início aos estudos na escola de música Sincopa, com o professor Edson Tamiazo.
“Estudei lá cerca de um ano. Comecei a fazer parte de bandas da escola e a tocar em festivais, como o HG, no Anglo, quando soube da chegada na cidade do grande baterista Fernando Gonçalves.”
Vindo de São Paulo, Gonçalves abriu a escola Groove Music Center. Barsotti conta que foi procurá-lo, tendo o privilégio de estudar com ele cerca de cinco anos. “Observando-o tocar e podendo reconhecer sua paixão pelo instrumento, pude me contagiar e decidir ser músico. Nessa época, já participava de diversas bandas da cidade, onde pude tocar rock, reggae, MPB, samba, samba-rock, sertanejo e comecei a fazer bailes em outras cidades”, recorda-se.
Nesse meio tempo, iniciou seus estudos de percussão erudita na escola de música Fábio Marasca com os professores Renata Giaretta e William Nagib. Na escola, de acordo com Barsotti, existia a orquestra preparatória chamada Orquestra Pró Sinfônica, na qual o Maestro Rodrigo Muller lhe deu a primeira oportunidade musical orquestral.
“Estudei na escola até que fui promovido e passei a tocar na Orquestra Sinfônica de Rio Claro, onde permaneci por alguns anos até a fundação da Orquestra Filarmônica de Rio Claro, na qual participei do primeiro concerto e onde permaneço tocando até hoje, sendo esta a primeira Orquestra a me possibilitar fazer óperas e a acompanhar artistas como João Bosco, Chico Cesar, Zeca Baleiro, Fafá de Belém, Guilherme Arantes, MV Bill, dentre outros”, relata o músico.
Feitos musicais e aperfeiçoamento
Em 1994, fez um curso prático de percussão para a Orquestra Sinfônica e Banda Sinfônica pela Fundação Cultural de Curitiba, pertencente à XII Oficina de Música de Curitiba. Já em 1996, foi convidado pelo maestro Rodrigo Muller a assumir a vaga de timpanista da Orquestra Sinfônica de Limeira, oportunidade em que passou a ser chefe de naipe, além de professor de percussão erudita e popular da Escola Livre de Música de Limeira, onde atua há mais de 20 anos.
“Ao mesmo tempo em que ingressei na orquestra, fui convidado a ser professor do Projeto Guri, polo Limeira, atuando com aulas de bateria e percussão, recebendo, em 1998, o título de ‘Parceiro da Cultura’ pela atuação eficiente e participação ativa no desenvolvimento de ações culturais essenciais no Estado de São Paulo, expedido pela Secretaria do Estado da Cultura”, expõe.
Quando do ano de 1999, começou a estudar no Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos Campos”, localizado em Tatuí, aprimorando seus conhecimentos em bateria MPB/jazz e percussão erudita complementar, onde estudou até 2003.
No ano de 2009, o rio-clarense teve a oportunidade de estudar com Chico Batera, no Rio de Janeiro, que é baterista e percussionista de Chico Buarque.
Mais recentemente, em 2017, participou como percussionista da Orquestra Sinfônica de Piracicaba e, nesse mesmo ano, foi convidado a trabalhar como músico substituto da Orquestra Bachiana do Sesi São Paulo com o Maestro João Carlos Martins, na qual atua até hoje.
No ano passado, Barsotti recebeu o convite para assumir os tímpanos da recém-formada Orquestra Rock de Campinas, sendo esta a primeira orquestra rock do Brasil, onde pode acompanhar diversos artistas.
Também em 2018 foi vencedor do PROAC municipal, com o projeto social “Meu Brasil brasileiro”, onde pode realizar oficinas de percussão popular na cidade de Rio Claro, oferecendo a crianças, adolescentes, jovens e adultos a vivência de diversas experiências com diferentes instrumentos de percussão, valorizando e preservando o patrimônio cultural imaterial.
Também em 2018 foi vencedor do PROAC municipal, com o projeto social “Meu Brasil brasileiro”, onde pode realizar oficinas de percussão popular na cidade de Rio Claro, oferecendo a crianças, adolescentes, jovens e adultos a vivência de diversas experiências com diferentes instrumentos de percussão, valorizando e preservando o patrimônio cultural imaterial.