No dia 28 de março, um jovem, de 22 anos, teve parte da perna amputada após um acidente registrado na área rural de Corumbataí. A vítima trabalhava na limpeza de uma granja quando ocorreu a fatalidade. O rapaz lavava o galpão, foi até o trator, que estava com o motor ligado, a calça ficou presa no eixo e acabou puxando parte do membro inferior esquerdo. Foi socorrido pelo Samu, toda mobilização foi realizada para encaminhá-lo para a Unicamp, em Campinas, pelo helicóptero Águia da Polícia Militar, porém, o reimplante não foi possível.
Em Araras, no dia 8 de novembro, o trabalhador Benedito Antônio da Silva Nascimento, de 64 anos, que morava e trabalhava na área rural do município, morreu após um grave acidente no local onde estava exercendo suas funções, região de uma cerâmica. Segundo o que foi informado, Benedito estava em um trator, que acabou capotando numa estrada de terra.
De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), em 2018 Rio Claro registrou três acidentes de trabalho com mortes e cinco em 2015.
O órgão mostra ainda que de 2012 a 2018 uma morte em acidente a cada três horas é estimada em todo o país, sendo notificadas neste período 16.455 mortes acidentárias. Até essa segunda-feira (13), o observatório registrava 17.308 mortes.
O número de acidentes de trabalho notificados ultrapassa 4,7 milhões entre 2012 e 2018, ou seja, a cada 49 segundos um acidente é registrado no país.
Segundo o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), regional de Rio Claro, nos últimos dois anos foram registrados os seguintes números de Relatórios de Atendimentos ao Acidentado do Trabalho (RAAT’s): em 2017, 2.521; já em 2018, 3.125.
Com relação a 2019, somente no primeiro trimestre, foram 933. Do número total, 5% configuram como graves, com divisão de 50% entre típicos e trajeto. No geral, são vários fatores condicionais para os acidentes. O Chefe de Núcleo do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), regional de Rio Claro, Paulo Roberto Coelho Filho, ressalta que a falta de organização acaba sendo um dos principais fatores.
“No conjunto geral de acidentes, a gente percebe que as condições de terceirização, quarteirização são fatores que podem acondicionar o acidente de trabalho. As empresas deixam de fazer a integração ou treinamento com as empresas terceirizadas. A falta de supervisão é outro fator. A organização do trabalho é muito importante. Em algumas ocasiões, partes móveis de máquinas e equipamentos ficam expostas, se tornando uma situação para possíveis acidentes”, avaliou.
Coelho Filho ressalta ainda que, independente de terceirização ou quarteirização, a contratante principal é corresponsável pela saúde e segurança dos trabalhadores da contratada.
O Cerest atua em duas grandes frentes: a de fiscalização pós acidentes e de forma preventiva. “Por exemplo, alguém verifica uma situação de risco, pode fazer a denúncia ao sindicato da categoria, que verifica e remete ao Cerest que vai avaliar a condição antes que ocorra o acidente. O Ministério Público também pode ser acionado para denúncias”, disse o chefe de núcleo.