Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que, em 2050, a população mundial ultrapassará os nove bilhões de pessoas.
Estima-se que seremos mais de duzentos e quarenta milhões de brasileiros daqui a vinte anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, a cada dezenove segundos nasce um brasileiro neste país.
Literalmente um país em crescimento, e com a necessidade de crescimento!
Esses números apontam para uma maior demanda em quase todos os setores da economia, mas um em especial é tido como o mais relevante a partir do crescimento populacional – a produção de alimentos.
Se por um lado a demanda por alimentos é uma preocupação, por outro ela se torna uma grande oportunidade para o investimento na produção desses itens – um grande negócio.
Porém, mais do que a necessidade de crescimento, é muito importante que o crescimento se faça de forma sustentável, com investimentos em processos que sejam eficazes e de baixo custo.
Hoje o Brasil está entre os cinco maiores produtores de alimentos do mundo, segundo a FAO. Apesar da pandemia, o agronegócio brasileiro foi a atividade econômica que menos sentiu os impactos causados pelas restrições impostas pelo vírus.
O uso da tecnologia vem crescendo no campo e isso tem trazido ganhos muito importantes de produtividade ao setor. Inteligência artificial, drones e Machine Learning já são realidade em várias propriedades agrícolas.
O Produto Interno Bruto do agronegócio registrou um crescimento de 5,26% no primeiro semestre de 2020, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP. Os pesquisadores do CEPEA, informaram ainda que esse aumento é o maior registrado pelo setor em um primeiro semestre, considerando-se toda a série histórica do PIB, iniciada em 1995. O estudo foi realizado em parceria com a CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
Com base em todo esse cenário, o futuro do agronegócio brasileiro tende a ser o grande impulsionador da retomada do crescimento pós pandemia.
Há anos, estamos entre os maiores exportadores globais de soja, cana de açúcar, café e suco de laranja.
Para os próximos anos há uma tendência de que os frutos de mesa, como manga, mamão, melão e uva estejam entre os produtos com maior potencial de crescimento, principalmente, devido às mudanças nos hábitos de consumo.
Os números, as projeções e as tendências podem até trazer, para o agronegócio brasileiro, certa euforia, porém é preciso lembrar que não somos os únicos que estão de olho nesse mercado.
Ainda é preciso, para uma efetiva consolidação do agronegócio brasileiro, maior investimento em áreas que de alguma forma estão aquém das exigências tanto do mercado interno, quanto do mercado esterno.
Dentre esses fatores, estão a necessidade de maior capacitação da mão de obra, o planejamento e o controle de atividades que vão além daquelas diretamente ligadas ao produto.
A adoção de sistemas de segurança alimentar, gestão de riscos e a qualificação dos fornecedores de insumos, também estão entre as maiores necessidades de atenção por parte das empresas e unidades agrícolas brasileiras.
Por fim, o produtor precisa investir em gestão de modo a tornar o negócio mais profissional e competitivo, para fazer frente às exigências de um novo mercado formado por clientes com novos hábitos de consumo, mais conscientes e com expectativas elevadas sobre o produto que irá adquirir.
Um grande mercado, que exige novos paradigmas.
Até…
O autor é conferencista, palestrante e Consultor empresarial. Autor do livro Labor e Divagações. Envie suas sugestões de temas para o prof. Moacir. Para contatos e esclarecimentos: moa@prof-moacir.com.br / Viste: www.prof-moacir.com.br